Não é a primeira vez nem será a última que eu escrevo e reclamo da festa dos “bixos” (ou “bichos”?) na Saturnito. Todo semestre alguma autoridade se pronuncia dizendo que arrumarão um lugar para as festas, mas até agora nada resolvido. Por que não usam o centro de eventos da UFSM? É um atentado ao pudor à população santa-mariense que três quadras centrais sejam fechadas para uma festa nada inocente. Não basta beber, é preciso beber até cair, fazer barulho, correr em meio aos carros, quase ser atropelado. Como se isso não bastasse, em que situação a praça amanhece? Imunda, fétida, intransitável.
Como cidadã, preocupa-me saber que ali podem estar o meu futuro médico, advogado, professor, fisioterapeuta, pedagogo. É assim que deixarão seus consultórios depois do trabalho? É assim que deixam suas salas de aulas na universidade? É assim que deixam seus quartos? Não me venha com “estamos comemorando”. Essa desculpa não cola. Afinal, é assim que você comemora um aniversário, casamento ou formatura?
Como professora, decepciona-me saber que no meio da algazarra podem estar ex-alunos. Toda consciência de cidadania que passamos anos tentando vivenciar na escola esvazia-se em dois copos de cerveja.
Parabéns ao que fazem trotes solidários, parabéns aos que fazem suas festas com educação, parabéns ao que cuidam da limpeza da cidade, parabéns ao que têm e semeiam o sentimento de coletividade!!
Bem-vindos ao blog A língua de Luana! Esse blog atua como um elemento integrador de relacionamento e aprendizagem. Por meio dele, divulgo materiais de interesse à língua portuguesa, ao jornalismo, à literatura, à educação, enfim, temas que me fazem bem enquanto pesquisadora. Além de divulgar o que ando "aprontando" por aí... seja em projetos ou trabalhos como professora, jornalista, amante da linguagem! Convido você a fazer parte deste espaço.
sábado, 15 de agosto de 2015
sábado, 18 de abril de 2015
O câncer chamado corrupção
Décadas
atrás Renato Russo já nos prenunciava o que vivemos hoje na nação brasileira: “Nas favelas, no senado / Sujeira pra todo lado /
Ninguém respeita a constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação / Que
país é esse?” É o Brasil da corrupção sem dó nem piedade. Essa corrupção o
torna um país desorganizado e corrompe o desenvolvimento de seus três pilares:
segurança, saúde e educação. Quando esses itens forem tratados como bens
essenciais à população, seremos uma nação em “ordem e progresso”.
Diariamente os meios de comunicação evidenciam casos de assaltos,
assassinatos, violência em plena luz do dia. Isso faz com as pessoas cerquem
suas casas, instalem câmeras, controlem o horário de ir e vir. Tornamo-nos
prisioneiros dos bandidos. E o direito de segurança previsto em lei? Verbas
públicas são desviadas pela bancada política, e assim não sobra dinheiro para
investir nos prédios, em mais concursos para termos mais policiamento nas ruas.
É preciso que o governo deixe de ser corruptível e tenha atitudes práticas.
Leis suficientes nós temos, basta que se faça cumpri-las igualmente para os
cidadãos, sem discriminação; que se coloque mais policiamento nas ruas;
iluminação pela cidade para nosso direito ser atendido.
Além de sentir-se seguro de casa para o trabalho ou do trabalho para o
lazer, é direito da população uma saúde pública de qualidade. Seguidamente
reportagens televisivas investigam escândalos envolvendo a saúde pública: são
licitações fraudulentas para prefeitos desviarem dinheiro; são adulterações de
receitas para médicos ganharem comissões; são vendas ilegais de remédios (que
deveriam ser gratuitos à população) que fazem o mercado da corrupção crescer.
Isso deixa o próprio sistema doente fazendo com que pessoas morram numa fila de
espera por uma cirurgia. O Estado precisa de uma administração efetiva que
combata a corrupção e que não se deixe corromper para que distribua o dinheiro
de acordo com as necessidades de cada região.
Outro setor brasileiro que tem sofrido com o “câncer” da corrupção é a
educação. Mais uma vez muitos políticos aproveitam licitações para desviar
recursos para suas contas particulares. Quem perde é a sociedade: alunos com
escolas com problemas de infraestrutura, com falta de professores, com falta de
merenda. Estudar em um ambiente limpo, iluminado, com material e professores
capacitados além de estimular o aprendizado faria com que se diminuísse a taxa
de abandono escolar.
Diante do exposto, percebemos que muitas coisas devem ser feitas para
darmos uma resposta positiva à pergunta feita por Renato Russo. Para isso, é
preciso que a população fiscalize seus governantes a fim de conquistarmos
nossos direitos e lutarmos pela diminuição da corrupção. Já que, um povo que
tem educação de qualidade, recebe bons cuidados médicos e promove uma ampla
segurança.
Por uma desmecanização da práxis pedagógica
Na sociedade contemporânea, a
educação é um dos temas que tem sido amplamente discutido/dialogado pela
população. Com a difusão da tecnologia e das redes sociais, as pessoas não
aceitam mais informações e decisões prontas. São feitos protestos pelas busca
de melhorias, mas o caminho de mudança ainda é longo. Entre as abordagens
discutidas está a práxis pedagógica do professor atual, a qual necessita
desvincular-se da mecanização do ensino.
Para começar a acontecer essa desmecanização,
primeiramente, é preciso que nós, professores, compreendamos e aceitemos a
ideia de múltiplos espaços educacionais. Conforme as discussões em aula, a
práxis é a construção coletiva do conhecimento a partir das práticas
vivenciadas. Isso pressupõe além dos muros da sala da escola. E como afirma
Bonilla (2005), todos estão em “permanente processo de aprendizagem e
subjetivação, quer seja no mundo cultural em que vive, quer seja nos distintos
espaços sociais e linguísticos por onde transita – família, grupos de iguais,
escola, trabalho, movimentos sociais, poder público”.
Ao aceitarmos essa ideia de
diversos espaços de aprendizagem, ficará também mais clara e facilitadora a
valorização do conhecimento de mundo do aluno. Ao planejar uma aula, precisamos
conhecer a realidade social em que nosso aluno vive e contextualizá-la ao
conteúdo. Nenhum estudante é um ser vazio, como induziram os portugueses ao
chegarem ao Brasil sobre os índios. De acordo com as vivências, leituras,
troca; cada criança e jovem já chegam à escola com uma bagagem cultural, cabe
ao professor aproveitar essa multiplicidade de opiniões para uma construção
coletiva. Além disso, essa contextualização entre realidade social e escola faz
com o estudante não apenas relacione, mas também vivencie prática e teoria e o
que o professor seja um mediador dessa troca entre os alunos.
Outro ponto a ser considerado é a
relação entre professor e alunos para além da sala da aula. Muitas vezes, a
única palavra amiga ou abraço ou um pequeno toque de carinho que o jovem recebe
do dia é o do professor. Hoje, nós somos mais que professores, somos amigos,
somos psicólogos, até pais. Ainda, com as redes sociais, a aproximação entre
professor e estudante é mais acentuada, eu, por exemplo, além ser amiga deles
no facebook, utilizo da rede para divulgar materiais extras das disciplinas e
temas gerais de interesse deles; converso pelo whats app e utilizamos do blog
para trocar ideias e dicas de estudo. Na minha realidade como professora, a
tecnologia é uma facilitadora de interação e práxis, no sentido de construção
coletiva, basta estamos abertos a aprendermos juntos e dialogarmos.
A partir das ideias expostas,
percebo que é preciso termos um meio termo entre a ideia de educação formal (espaço
escolar) e não formal (espaços não escolares), entre inovação e conteúdo. Não
conseguiremos colocar a práxis em efetivação em todas as aulas, mas, se em
parte delas, instigarmos os alunos ao questionamento, ao sair do lugar comum, e
atingirmos um pelo menos, já teremos feito a nossa mudança do mundo. É preciso
que acreditemos nas pequenas mudanças diárias, ninguém mudará o cenário
educacional da noite para o dia, é necessário mais empenho dos colegas
professores.
Luana Iensen Gonçalves
Professora
domingo, 29 de março de 2015
Literatura: arte das plurissignificações
A Literatura
se configura uma arte plurissignificativa porque permite múltiplas
interpretações.
A subjetividade da Literatura
imprime essa possibilidade de várias interpretações de mesmo texto. Ou, ainda, da
possibilidade de diferentes sensações que um texto pode exprimir no leitor:
riso, alegria, tristeza, paixão, indiferença...
Para tentarmos explorarmos a
multiplicidade significativa, ou seja, a busca pelo uso da palavra em seus
vários significados, leiamos o trecho do poema Procura da poesia:
Procura da poesia
Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no
escuro
são indiferentes.
[...]
são indiferentes.
[...]
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Carlos Drummond de Andrade
O próprio
poema já expressa: “Chega mais perto e contempla as palavras. /
Cada uma / tem mil faces secretas sob a face neutra [...]”, se as
palavras não tivessem essa face neutra, de que fala Drummond, talvez a
Literatura não pudesse ser considerada uma arte... A ideia é que essas mil
faces (ainda que pareça hiperbólico demais para você) são as diversas
possibilidades de significações de uma palavra conforme o contexto usado. Se você
não compreendeu essa hipérbole, é porque, talvez, ainda não descobriu o
verdadeiro sentido da arte da palavra propriamente dita.
Observe
ainda estes outros versos:
Penetra
surdamente no reino das palavras.
Lá
estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão
paralisados, mas não há desespero,
há
calma e frescura na superfície intata.
Ei-los
sós e mudos, em estado de dicionário.
Os
poemas, as palavras estão “em estado de dicionário”, mas
estão assim porque esperam ser escritos, pois quando materializados no papel, ganham
novas significações. Esses versos ainda nos reforçam o pensamento sobre uso do
sentido conotativo, por isso o contexto usado por cada escritor influencia no
entendimento final do texto.
E que nem
tudo é encontrado explicitamente no texto. É preciso ler as entrelinhas. A
subjetivação muitas vezes é expressa justamente por figuras de linguagem, o que
requer uma maior atenção do leitor.
Esse é o
ponto essencial aqui discutido: quanto mais abordagens, quanto mais subjetivo,
quanto mais conotativo, mais plurissignificativa será essa arte, maior
amplitude de interpretações teremos.
Professora
Luana Iensen
quarta-feira, 25 de março de 2015
Expressões que exigem cuidado – parte III
Tenha atenção a algumas expressões de nossa língua que exigem
cuidado na hora de escrever. Estas expressões fazem parte do Manual de Redação e Estilo da Agência
Estado.
P Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou
uma TV em cores (não se diz TV "a" preto e branco). Da
mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.
P O fato passou "desapercebido". Na verdade, o
fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.
P "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja
vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus
esforços. / Haja vista suas críticas.
P Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que
definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não "são")
1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.
P A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do
sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e
não "kms."), 5 m, 10 kg.
P Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob
é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se
sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava
sobre o telhado. / Falou sobre a inflação.
P "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: a meu ver, a nosso ver.
P Ele andava “à-toa” pela
cidade. O correto é à toa
(locução adverbial, portanto não varia): Vamos
andar à toa para nos distrairmos. Já à-toa
(adjetivo invariável, com hífen) significa fácil, desprezível: Teu amigo é um sujeitinho à-toa.
P Estou “afim de” curtir a
balada. Afim significa
semelhante, que tem afinidade: Estes
livros são de áreas afins. A fim
de significa finalidade: Chegamos cedo a fim de pegar um bom lugar.
P Estamos “acerca” de 10 minutos do local. Acerca significa sobre,
a respeito de: A palestra de hoje foi acerca do aquecimento global.
Já a cerca significa próximo a: Estamos
a cerca de 10 minutos do local. Há, ainda, a expressão há cerca de
que indica tempo decorrido: Estamos há
cerca de 10 horas esperando na fila.
segunda-feira, 16 de março de 2015
Gerações da Poesia Romântica
As gerações da poesia do Romantismo Brasileiro
A primeira geração:
Nacionalista–indianista
- era voltada para a natureza, o regresso ao passado histórico e ao
medievalismo. Cria um herói nacional na figura do índio, de onde surgiu a denominação
de geração indianista. O sentimentalismo e a religiosidade são outras
características presentes.
-Principais autores: Gonçalves de
Magalhães, Gonçalves Dias e Araújo Porto Alegre. Gonçalves de Magalhães foi o
introdutor do Romantismo no Brasil.
-Principais obras: Suspiros
Poéticos e Saudades. Gonçalves Dias foi o mais significativo poeta romântico
brasileiro. Obras: Canção do exílio, I-Juca-Pirama. Araújo Porto Alegre fundou
com os outros dois a Revista Niterói-Brasiliense.
-Características: nacionalismo
ufanista, o indianismo, o subjetivismo, a religiosidade, o brasileirismo
(linguagem), a evasão do tempo e espaço, o egocentrismo, o individualismo, o
sofrimento amoroso, a exaltação da liberdade, a expressão de estados de alma,
emoções e sentimentalismo.
Exemplo:
Gonçalves Dias:
Canção do exílio
Minha
terra tem palmeiras,
Onde
canta o Sabiá;
As
aves, que aqui gorjeiam,
Não
gorjeiam como lá.
Nosso
céu tem mais estrelas,
Nossas
várzeas têm mais flores,
Nossos
bosques têm mais vida,
Nossa
vida mais amores.
Em
cismar, sozinho, à noite,
Mais
prazer encontro eu lá;
Minha
terra tem palmeiras,
Onde
canta o Sabiá.
Minha
terra tem primores,
Que
tais não encontro eu cá;
Em
cismar — sozinho, à noite —
Mais
prazer encontro eu lá;
Minha
terra tem palmeiras,
Onde
canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem
que eu volte para lá;
Sem
que desfrute os primores
Que
não encontro por cá;
Sem
qu'inda aviste as palmeiras,
Onde
canta o Sabiá.
* Intertextualidade:
A segunda geração:
Também
conhecida como Byroniana e Ultrarromantismo, recebeu a denominação de mal do
século pela sua característica de abordar temas obscuros como a morte, amores
impossíveis e a escuridão.
-Principais autores: Álvares de Azevedo,
Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, Junqueira Freire.
-Principais obras: Pálida à Luz, Soneto,
Lembranças de Morrer, Noite na Taverna. Casimiro de Abreu escreveu As
Primaveras, Poesia e amor, etc. Fagundes Varela, embora byroniano, já tinha em
sua poesia algumas características da terceira geração do romantismo.
-Principais características: Foram o profundo
subjetivismo, o egocentrismo, o individualismo, a evasão na morte, o saudosismo
(lamentação) em Casimiro de Abreu, por exemplo, o pessimismo, o sentimento de
angústia, o sofrimento amoroso, o desespero, o satanismo e a fuga da realidade.
Exemplo:
Álvares Azevedo:
Se Eu Morresse Amanhã
Se
eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar
meus olhos minha triste irmã,
Minha
mãe de saudades morreria
Se
eu morresse amanhã!
Quanta
glória pressinto em meu futuro!
Que
aurora de porvir e que manhã!
Eu
perdera chorando essas coroas
Se
eu morresse amanhã!
Que
sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda
ti natureza mais louçã!
Não
me batera tanto amor no peito
Se
eu morresse amanhã!
Mas
essa dor da vida que devora
A
ânsia de glória, o dolorido afã...
A
dor no peito emudecera ao menos
Se
eu morresse amanhã!
Amor eterno - morte como salvação
A terceira geração:
Conhecida
também como geração Condoreira, simbolizada pelo Condor, uma ave que costuma
construir seu ninho em lugares muito altos e tem visão ampla sobre todas as
coisas, ou Hugoniana, referente ao escritor francês Victor Hugo, grande
pensador do social e influenciador dessa geração.
-Principais autores: Castro Alves,
Sousândrade e Tobias Barreto. Castro Alves, denominado "Poeta dos
Escravos", o mais expressivo representante dessa geração com obras como
Espumas Flutuantes e Navio Negreiro. Sousândrade não foi um poeta muito
influente, mas tem uma pequena importância pelo descritivismo de suas obras.
Tobias Barreto é famoso pelos seus poemas românticos.
-Principais características: As principais
características são o erotismo, a mulher vista com virtudes e pecados, o
abolicionismo, a visão ampla e conhecimento sobre todas as coisas, a realidade
social e a negação do amor platônico, com a mulher podendo ser tocada e amada.
Exemplo:
"O NAVIO NEGREIRO"
(Tragédia no Mar)
Canto VI
Existe
um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...
Auriverde pendão de minha
terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...
Fatalidade atroz que a
mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!
segunda-feira, 9 de março de 2015
Linguagem Literária e Não Literária
A linguagem, brevemente
explicando, é a expressão do pensamento, do que queremos comunicar, por meio de
palavras. É qualquer meio de exprimir o que se sente ou pensa. É um conjunto de
sinais, visuais ou fonéticos, a partir dos quais se estabelece a comunicação.
A linguagem literária é caracterizada por múltiplos
significados que uma palavra pode assumir em um texto, muitas vezes utilizada
com um sentido diferente daquele que lhe é comum. Ou seja, a exploração do
sentido denotativo das palavras.
Exemplo:
Procura da Poesia
[...] Penetra surdamente
no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e
contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.
Já a linguagem não
literária é a utilizada com o seu sentido comum, aquilo que as palavras ou as
coisas querem dizer, ou seja, o uso do sentido denotativo das palavras. É a
linguagem dos textos informativos, jornalísticos, científicos, técnicos etc.
Exemplo:
Lentidão no caminho para
Itaara
Obras de conservação e
manutenção causam congestionamentos
Os trabalhos de
conservação e manutenção da BR-158, entre Santa Maria e Júlio de Castilhos, têm
provocado congestionamentos e deixado motoristas impacientes. No final de
semana foi registrada uma fila de veículos que começava no Trevo do
Castelinho em direção a Itaara, onde havia obra de recuperação da pista no km
321.
Dede o mês passado, a
empresa Della Pasqua começou as obras de manutenção e conservação da via.
Segundo o dono da empresa, Mauro Della Pasqua, o trabalho seguirá pelos
próximos meses, para recuperar a rodovia até Júlio de Castilhos:
- É preciso interromper o
trânsito quando há fresagem (retirada do asfalto velho) para colocar novo
asfalto.
A Polícia Rodoviária
Federal alerta os motoristas que, além dos trechos com trânsito interrompido
em um dos sentidos da via, os locais que irão passar por manutenção
só receberão a sinalização horizontal após o término de todas as
obras prevista, o que exige atenção redobrada. [...]
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