domingo, 23 de março de 2014

Volta às aulas – parte II


O caos do trânsito

            Todo início de semestre é a mesma história. Já virou até clichê, mas ninguém faz nada para resolver. A Praça Saturnino de Brito, numa região central da cidade, fica superpovoada de bixos, futuros universitários, que apenas querem comemorar sua vaga. O problema é justamente a combinação: superpopulação + bebida + som alto = desrespeito ao sossego público e ao trânsito.
          A festa é linda, uma verdadeira comunhão entre diferentes cursos e até centros de ensino. Infelizmente, como toda festa, há os exagerados. Bebem e acontecem. As ruas são trancadas e tomadas pelos bixos. O engraçado é que para esse “momento” há policiamento “cuidando” os bixos para os motoristas não ultrapassarem, mas em ruas escuras, bairros desprotegidos ou até mesmo durante o dia no centro pouco policiamento se vê. Nem guarda municipal, aliás, que pouco faz mesmo.
            A segunda situação engraçada é que esses bixos são convocados para trotes solidários, mas ainda não vi um curso propor que os “festeiros” voltem ao amanhecer para limpar a praça. Afinal, o local é público e eu, como tantas outras pessoas, não sou obrigada a ir ao trabalho com a fragrância “Cerveja com xixi”. Limpar a sujeira que fez seria um exemplo de cidadania e solidariedade. Até, imagine a festa na casa de um desses estudantes: iriam querer suas salas e varandas e imundas e fedidas???
Somos a cidade cultura e a cidade universitária, mas faltam ambientes adequados para a cultura e para as festas universitárias. Adoro festas, não sou contra elas, mas acredito é preciso um espaço específico para isso, ou pelo menos, uma revitalização da praça com melhor iluminação e banheiros um horário máximo para esses encontros. Afinal, se eles fazem festa, outros precisam estudar, trabalhar e dormir. Isso é respeitar o outro e o público.


Luana Iensen Gonçalves

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Volta às aulas - parte I

O aconchego do abraço

            Férias são sempre revigorantes, maravilhosas, de tirar o estresse. Eu adoro férias, assim como a maioria das pessoas. E não é apenas uma questão de viajar ou não, ir à praia ou à montanha. É uma questão de ter um tempo só pra você, para as coisas que te fazem tão bem e nem sempre são “revisitadas” durante o ano devido à correria à qual sobrevivemos.
            Mas o melhor das férias é voltar delas. Sim, não o fim das férias, mas a volta. Depois das energias carregadas, existe algo mais gostoso do que um abraço dos colegas? Um sorriso saudoso, uma afago fraterno, uma conversa entusiasmada? Receber esse carinho dos alunos então, não tem preço. Parece clichê de comercial, mas não é.
            Porque realmente não tem preço receber abraços, beijos e carinho de seus alunos no início do ano letivo (e ao longo dele também); não tem preço rever e conversar com colegas e professores da faculdade; não tem preço ser bem recebido no trabalho pelos companheiros de sonhos, lutas e mudanças na educação.
            Férias são maravilhosas, mas ter para onde voltar e alguém para te receber com carinho e abraços é melhor ainda!



Luana Iensen Gonçalves

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Não?? Não!!


Uma das melhores coisas é sermos aceitos, é recebermos sim. Sim? Claro, em diversas situações na vida, a única palavra mágica que chega a soar como música a nós é o sim. “Pegue, o doce é seu!”; “Sim, meu nome está no listão!”; “Eu aceito você na tristeza e na alegria”; “Seja bem-vindo a nossa equipe!”. Da infância à vida adulta, passamos por situações que sonhamos, desejamos esse sim, sejam elas pessoais, amorosas, estudantis ou de trabalho.
Mas será que dizer sim e ouvir um sim é sinônimo de realização e felicidade? Em muitas circunstâncias, é crucial recebermos uns nãos a fim de entendermos que o mundo não gira em volta do nosso umbigo. É fácil reclamar do que temos, mas é difícil ver ao redor e sensibilizarmo-nos com a situação/realidade do outro.
Uns nãos fazem parte do nosso crescimento pessoal, intelectual e espiritual. Na hora da escuta, o mundo vai a baixo, sentimo-nos no lixo; mas com o passar do tempo, percebemos que tantas portas melhores abriram-se e acabamos por valorizar e agradecermos aquele não. Isso é viver, cair, levantar e seguir em frente.
Há o outro lado, no entanto, o de dizer o não. Quantas vezes somos infelizes, sentimos um aperto no coração, porque dizemos aquele sim que tanto os outros querem ouvir? Pois é. Às vezes, é necessário dizer não, conversar com o amigo, terminar o namoro, trocar de emprego; tudo que seja necessário para a nossa evolução como seres humanos. Só que dói dizer não, machuca. Porém, o tempo mostrar-nos-á que um não pode ser mais satisfatório e feliz do que um sim.

Que possamos aprender a dizer não!

Luana Iensen

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Pegadora

         Ela pega geral! Não quer nem saber o que os pensam, dizem ou difamam por aí. Quanto mais, melhor; esse é seu lema.
            Na biblioteca da faculdade, ela pega todos da disciplina. Devora um por um. Nenhum livro escapa, se bobear, vai pesquisar além. Afinal, leitura nunca é demais para essa pegadora intelectual. Nas férias, ela viaja na literatura, compartilha de sonhos, aventuras, conhece lugares incríveis, se apaixona perdidamente, multiplica-se em várias e transborda de felicidade em Pasárgada. Mas não é só isso. Ela ministra tão bem seu tempo que se atualiza em filosofia, artes, política. Nada escapa aos seus olhos devoradores.
            As colegas da faculdade não entendem. Tá, tudo bem, ela é bem ajeitada, bonita, mas não tem o corpo sarado. Só que no bar, a pegadora sempre sai na frente, pois quando ela movimenta os lábios, sua conversa flui como música aos ouvidos de quem compartilha de sua presença. E não é só questão de melodia, é questão de conteúdo. Ela envolve todos a sua volta, como uma serpente ela vai puxando para si o momento, é um envolvimento de palavras, sussurros, histórias.

            É que ela é a pegadora do pedaço. E antes de malhar o corpo, ela malha a mente, ela malha a língua, ela malha a alma. Tem como não se deixar pegar?

Luana Iensen

Onomatopeias da vida

Buáaaaabuáaaaaabuáaaaa
Gugu dadá gugu dadá
Tec tec tec tec tec tec
toc toc toc toc toc
tuche tuche tuche tuche tuche
ahhh ahhhh AHHHHH
mais vaiiiiii AHHHHH ahhhhhhhhhhhhhhhhhh
fuuuu shiiii  fuuuu shiiii ãhãhãhãhãh

Buáaaaabuáaaaaabuáaaaa

domingo, 12 de janeiro de 2014

Análise Sintática

Segundo a gramática, período simples ocorre quando a oração é composta por um verbo; e composto, quando tem dois ou mais verbos. Assim, podemos dizer que individualmente somos períodos simples e quando juntamos as escovas de dente, período composto, que pode aumentar conforme a família. A gramática será sempre sedutora enquanto quisermos definir as pessoas.
Quando período simples, alguns indivíduos são sujeitos indeterminados. Aprontam, fazem e acontecem e depois se escondem. Os ocultos, pelo menos, temos a chance de encontrá-los. Às vezes, ocultos por timidez, outras, por safadeza mesmo.
Gente fina mesmo é o tal do cara sujeito simples e ativo. Simples no nome e no jeito de viver. Ativo porque cuida da vida dele, trabalha, diverte-se, percebe que a felicidade se encontra nos pequenos detalhes do dia a dia. E sim, se soubermos olharmos, tropeçamos nela todos os dias. Quem sofre é o sujeito passivo. Coitado, só sofre a ação, não tem perspectivas.
Além desses sujeitos, temos as pessoas predicados: os verbais não param quietos. Se eles têm um tempo sobrando no dia, arrumam logo com o que se ocupar. Os nominais não estão preocupados em agir, mas sim amar sem descanso, seu sujeito é conectado às características do bem, sem espera de retorno, pelo seu predicativo. E os verbo-nominais? São poucos, mas todos desejam se tornar assim: a mistura perfeita de serem agentes de sua vida e terem um predicativo para amá-los.
Temos também as pessoas objetos diretos e indiretos e os complementos nominais para completarem nossa vida, darem significado especial aos nossos predicados. Coitado só do agente da passiva, não tem voz, não vez, seu sujeito é passivo.
          E os acessórios??  Mesmo não sendo necessários ou até supérfluos, tem dias que abusamos deles, dão um retoque em nossa personalidade de acordo com a ocasião. Os adjuntos adnominais animam o ego das pessoas sujeitos, com adjetivações e quantificações. Os adjuntos adverbias satisfazem o ego das pessoas predicados por meio de intensificadores que “levantam” o astral num dia que não estamos tão bem.
         Os únicos solitários desse grupo são os vocativos. Querem viver sozinhos, vivem gritando por aí, querem chamar a atenção, fazer birra; ainda não compreenderam a essência da análise nem da sintaxe.

            A gramática, enfim, é um ser vivo, mutante. Isso porque não somos nós que fazemos análise diariamente, é ela que nos analisa sintaticamente e nos dá oportunidade de agentes ou passivos diante da vida.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Avassaladora

Ninguém sabe quando ela vai chegar, se por um dia, uma temporada ou a vida toda. É sempre assim: vai entrando, se aconchegando e nem se preocupa em dar tchau quando muda de lar. Aliás, preocupação não é negócio dela, quando ela invade nosso coração, o que menos fazemos é nos preocuparmos. A vida fica mais leve.
Com diferentes funções, ela se instala em nós quando conhecemos alguém especial; quando somos aprovados naquele concurso; quando ouvimos aquele sim no emprego sonhado; quando fazemos alguma coisa pela primeira vez; quando somos lavados pela água da chuva; quando sorrimos livremente; quando trocamos um carinho sincero.
Ela é assim, simples, invisível, mas essencial.
Ela é um tsunami de emoções; um terremoto que balança as pernas; um calorão; um frio na espinha. Ela nos faz agir como bobos e mesmo assim sermos incompreendidos. E quando chega, chega com tudo! Acaba com a tristeza, intensifica as alegrias, balança o amor.
Em qualquer idade, em qualquer lugar, em qualquer situação, ela é assim, avassaladora. Ahhh, a paixão.... Ela proporciona prazer, satisfação, felicidade em doar sem a preocupação em receber. Ela é viciante!
Amar sem paixão, trabalhar sem paixão, estudar sem paixão, sorrir sem paixão, ajudar sem paixão; assim, sem paixão, as pessoas até sobrevivem, mas não vivem.

Luana Iensen

Revisão SIS II - Questões